Nas minhas experiências e convivências com pessoas, em diversos tipos de organização – cooperativas de trabalho, de crédito, de produção, de consumo; empresas industriais, comerciais e de serviços; associações de classe, sindicatos, conselhos –, tenho percebido que todos têm uma grande vontade de acertar, de dar resultado. Essas pessoas têm consciência de que o resultado é sinérgico quando o trabalho é feito pela equipe. Para surpresa e/ou tristeza minha, não conseguem trabalhar em equipe. Saber (con)viver, criando um grupo harmônico, é um dos requisitos fundamentais para a pessoa estar inserida no contexto do profissional do terceiro milênio.

A partir do momento em que chegamos ao mundo já não estamos mais sozinhos, e somos inseridos em uma comunidade social que, aos poucos, vai aumentando. Inicialmente, o conviver é a nossa família e depois o mundo. O estar com o outro, ou seja, conviver com outras pessoas é que nos faz crescer e ser quem somos. São as pessoas do nosso conviver social que nos dão o nosso nome, que, às vezes, é uma carga enorme (Júnior, Neto, Sobrinho), buscando influenciar a nossa missão pela vida, com um carimbo: “Seja igual ao papai”, ou “Seja igual ao vovô”. É no nosso conviver social que nos ensinam e que aprendemos as regras, as crenças e os valores, a escolher e assumir responsabilidades, os limites e as regras sociais.

Este aprendizado é fruto da (con)vivência. Não é um aprendizado isolado, pois nenhum ser humano é uma ilha. Precisamos intensamente do outro. Precisamos ser reconhecidos pelo outro. O nosso “eu” é fruto das nossas relações afetivas, e quando falo de relações falo de proximidade, toque, olho no olho, coração a coração.

O que ouço nas organizações é que é perda de tempo ou bobagem o conviver.  As pessoas dão desculpas, as mais esdrúxulas: “Sempre que nos reunimos saem fofocas, brigas, discussões, comentários maldosos, portanto, é melhor cada um no seu canto”. E aí, cada um se fecha na sua sala, ou “baia”, consultório, gabinete, ou qualquer base de atividade e se gaba: “O meu é melhor, e aqui a peteca não cai”. Criou-se aí o EUQUIPE, reforçando algumas crenças apreendidas anteriormente: “É melhor só que mal acompanhado”. O conviver não deve ser um "muro das lamentações" ou ringue para as “porradas” destrutivas. Em hipótese alguma deve ser a “fonte das lavadeiras”, onde as “comadres” vão colocar os assuntos em dia.
 
Precisamos aprender que é no contraditório que refletimos as nossas ações, confirmando-as ou modificando-as. O diferente das nossas crenças e valores e da nossa maneira de pensar e agir é diferente, e pode não estar errado. Somente diferente. O nosso desafio para conviver e começar a sair da nossa “armadura” é nos despir de nossas verdades e começar a ouvir o outro.
 
É na relação com o outro, no conviver com outras pessoas que construímos nossa vida. É nesse espaço privilegiado que aprendemos a partilhar e a ouvir, estabelecendo o diálogo e a nossa formação permanente e constante. Aprendemos a conviver com as alegrias e tristezas, raivas e medos, construindo uma relação amorosa positiva.
 
Esse conviver deve ser um espaço de troca, de vida, de crescimento. Se olharmos a história, vamos perceber que os grandes líderes só foram grandes porque souberam conviver. Na minha crença religiosa, percebo que Cristo nos deu um exemplo de conviver. Provavelmente, dentro de sua sabedoria divina, poderia fazer tudo o que queria sozinho. No entanto, escolheu doze pessoas para dividir com ele a caminhada, enfrentando os desafios, os conflitos e as dificuldades comuns do dia-a-dia. E no histórico de nossa vida podemos ver outros conviverem. Líderes com suas crenças e valores, realizando transformações através da ação de muitos.

O nosso cooperar – que é o operar com – só se dará na sua plenitude quando sairmos do nosso casulo e deixarmos de achar que "quando faço sozinho é mais rápido". Quando, enfim, acreditarmos que a nossa realização afetivo- emocional se dará com o outro e através do outro, o resultado para o grupo será sinérgico.

 
 
José da Paz Cury - Administrador
 
     
     
 


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